A segunda linha do pedido: vender mais na visita que você já está fazendo

O custo de uma visita é pago antes de alguém saber o que vai ser vendido nela. O combustível, o tempo do vendedor, a espera no balcão e a volta até o caminhão custam o mesmo, quer…

M Por Mauricio A Gomez · · 5 min de leitura
A segunda linha do pedido: vender mais na visita que você já está fazendo

O custo de uma visita é pago antes de alguém saber o que vai ser vendido nela. O combustível, o tempo do vendedor, a espera no balcão e a volta até o caminhão custam o mesmo, quer o cliente peça um item, quer peça seis. É essa assimetria que quase ninguém aproveita.

Por isso a conversa sobre vender mais costuma começar pelo lado caro: mais visitas, mais vendedores, rotas mais longas. E a margem mais fácil de alcançar está do outro lado, dentro do pedido que está sendo tirado agora, com o cliente ali na frente e a porta já aberta.

O pedido de um item só

A maioria dos pedidos em campo é tirada no ditado. O cliente diz o que está faltando, o vendedor anota, pega a assinatura e vai embora. É rápido, é confortável para os dois e deixa de fora tudo o que o cliente teria comprado se alguém tivesse falado em voz alta.

Não é preguiça do vendedor: ele entra sem informação. Não sabe o que aquela conta comprou dois meses atrás, o que ela parou de pedir nem o que negócios parecidos no mesmo quarteirão estão comprando. Sem isso, só lhe resta anotar o ditado.

O que o cliente comprava e não pediu hoje

A segunda linha quase nunca é um produto novo. É algo que aquela conta já comprou, já vendeu e já sabe trabalhar, e que saiu do pedido sem ninguém perceber. Colocá-lo de volta é a venda mais fácil que existe, e basta ler o histórico antes de entrar.

O sinalO que ele realmente significaO que fazer nesta visita
Uma família inteira de produtos sumiu há três pedidosOu ele está comprando de outro, ou ficou sem espaço na prateleiraPerguntar por essa família pelo nome, não pelo catálogo inteiro
Ele pede exatamente a mesma coisa toda vezO pedido é tirado de memória e ninguém lhe ofereceu nada ao ladoLer para ele o pedido anterior e propor um único acréscimo
Ele compra a embalagem pequena de algo que gira rápidoEstá repondo na mão toda semana e nunca parou para pensar nissoOferecer a embalagem maior com a conta por unidade já feita
Ele nunca comprou a família principal para o tipo de negócio deleÉ uma lacuna no que foi oferecido, não uma decisão deleMostrar dois itens específicos, nunca a lista inteira
Parte do último pedido nunca foi entregueHá uma venda que ele já aceitou e que continua sem entregaFechá-la dentro do pedido de hoje, antes de falar de qualquer novidade

Por que um pedido mais amplo vale mais do que uma rota mais longa

Vale a pena fazer a conta com os seus números, e não com os de ninguém mais. Imagine uma rota de doze visitas por dia e um pedido médio de quatro itens: o dia fecha com quarenta e oito itens. Se a equipe ganhar um item a mais em uma de cada três visitas, o dia fecha com cinquenta e dois.

São quatro itens a mais sem nenhum quilômetro extra, nenhuma hora extra e ninguém novo na folha de pagamento. A décima terceira visita, ao contrário, custa o trajeto, a espera e o risco de atrasar tudo o que vem depois; e costuma ser a conta que foi parar no fim da lista justamente porque compra muito pouco.

Nada disso quer dizer que a rota não importa. Quer dizer que ampliar a rota e ampliar o pedido não custam o mesmo, e que a maioria das equipes empurra primeiro a alavanca cara porque é a que se vê.

A visita mais lucrativa do dia é a que você já está fazendo.

Como a segunda linha é preparada antes de bater na porta

Uma segunda linha improvisada no balcão soa improvisada, e é recusada. Preparada, é uma frase de dez segundos que sai direto do histórico daquela conta. A diferença não está no discurso do vendedor: está no que ele tem em mãos quando desce do caminhão.

O que conferir antes de entrarOnde a informação estáA frase que ela gera
Os três últimos pedidos da contaO histórico na ficha do cliente“Da última vez você levou isto e hoje não pediu — quer que eu reponha?”
O que negócios parecidos ali perto estão comprandoA lista de clientes agrupada por tipo de negócio“Lojas como a sua estão vendendo muito isto agora”
O que ficou pendente na visita anteriorA anotação da visita, não a memória de alguém“Combinamos que eu traria o preço disto”
O saldo não entreguePedidos marcados como entregues parcialmente“Ainda faltam seis para você — coloco neste pedido?”
A promoção válida hojeO catálogo do dia, com a data de encerramento“Esta semana a embalagem grande está quase pelo preço da média”

O que testar na segunda-feira, sem comprar nada

  • Puxe os pedidos do mês passado e conte os itens de cada um. Se metade tiver um ou dois itens, é aí que está a margem — não na rota.
  • Escolha dez contas e compare o pedido desta semana com o de três meses atrás. Marque em vermelho cada família que sumiu sem explicação.
  • Peça a cada vendedor que chegue a três das visitas do dia com uma segunda linha já decidida e anotada antes de sair. Três, não doze.
  • No fim da semana, pergunte quantas dessas três disseram sim. É o único número que mostra se o método funciona.
  • Compare os itens por pedido do seu melhor vendedor com a média da equipe. A diferença quase sempre está aí, e não no número de visitas.

O que precisa estar configurado

Para que isso deixe de depender da memória de cada vendedor, quatro coisas precisam estar registradas: o histórico da conta visível em campo e não só no escritório, a anotação do que ficou pendente, os saldos não entregues de pedidos anteriores e a lista de clientes agrupada por tipo de negócio.

E mais uma coluna no relatório: itens por pedido, ao lado do valor. Uma equipe medida só pelo total faturado nunca vai saber se está crescendo porque vende melhor ou porque roda mais. São dois negócios diferentes, e custam dinheiro muito diferente.