Um produto novo na rota: o que fazer nas primeiras visitas para ele pegar

Um produto novo chega à rota com uma caixa de amostras, uma ficha técnica e a instrução de "oferecer para todo mundo". Um mês depois, um punhado de clientes tem o produto, pediu…

M Por Mauricio A Gomez · · 6 min de leitura
Um produto novo na rota: o que fazer nas primeiras visitas para ele pegar

Um produto novo chega à rota com uma caixa de amostras, uma ficha técnica e a instrução de "oferecer para todo mundo". Um mês depois, um punhado de clientes tem o produto, pediu uma vez e nunca mais. O lançamento não fracassou no depósito: perdeu-se nas primeiras visitas, que foram feitas às cegas.

Por que "oferecer para todo mundo" quase nunca funciona

Oferecer para a rota inteira de uma vez parece o mais rápido, mas gasta a primeira impressão de cada cliente antes que alguém saiba o que dizer. Cada vendedor improvisa a abordagem, cada um conta de um jeito e ninguém anota o que aconteceu. Quando a equipe descobre o que funciona, já apresentou mal o produto para quase todo mundo.

Um cliente que disse não a um produto tende a dizer não de novo, nem que seja por costume. Por isso, as primeiras visitas não servem para vender o máximo possível: servem para aprender rápido, com poucos clientes, qual frase funciona, qual objeção aparece e qual pedido de teste faz sentido.

Quais clientes visitar primeiro

A primeira onda não são os maiores clientes. São os que já compram algo parecido, os que se dão bem com o vendedor e os que ficam perto, para que ele possa voltar logo. Com eles, um erro custa pouco, e eles dizem com sinceridade por que não estão pedindo, algo que um cliente grande e distante raramente faz.

A segunda onda são os clientes que costumam pedir novidades, que agora podem ser abordados com uma frase já testada. A terceira é o resto da rota, contas grandes incluídas, com o que funcionou anotado e compartilhado. Entre uma onda e a seguinte há uma pergunta a responder, não uma data no calendário.

A ondaQuem entraO que você precisa saber antes de avançar
PrimeiraClientes que já compram algo parecido, próximos e de confiançaA frase que faz o cliente perguntar, e a objeção que mais aparece
SegundaClientes que costumam pedir novidadesSe a primeira onda pediu de novo, e qual pedido de teste se repete
TerceiraO resto da rota, incluindo as maiores contasQue tipo de cliente mantém o produto, para saber onde insistir e onde não

O que dizer na visita

O que funciona quase nunca é a ficha técnica. O que funciona é uma frase que conecta o produto a algo que aquele cliente já faz: "é como o que você pede toda semana, só que com...". Para dizê-la, o vendedor precisa chegar sabendo o que a conta compra, o que os clientes dela pedem e o que ela deixou de pedir recentemente.

O pedido de teste vai junto com o pedido de sempre, pequeno de propósito. O cliente arrisca pouco com algumas unidades ao lado do que já conhece, e o vendedor ganha um motivo concreto para voltar: perguntar como vendeu. Um pedido grande na primeira visita costuma ser um favor ao vendedor, e favor não se repete.

O que anotar para corrigir o rumo rápido

O que acontece na primeira onda só serve se chegar à segunda. Em cada visita, anote três coisas na ficha do cliente: se o produto foi oferecido, o que ele disse com as próprias palavras e se fez um pedido de teste. Sem isso, a reunião de sexta-feira vira só impressões, e cada vendedor defende a sua.

Com essas anotações, depois de uma ou duas semanas dá para ver o que nenhuma ficha técnica diz: qual objeção se repete, qual frase fez o cliente perguntar e que tipo de cliente pediu. É isso que entra na segunda onda. Se não há nada a corrigir, provavelmente não se anotou o suficiente.

O que se costuma fazerPor que parece sensatoO que se perde
Começar pelos maiores clientesÉ onde dá para vender maisA primeira impressão das contas mais importantes, com uma abordagem não testada
Deixar amostras e não voltarSe o produto é bom, vende sozinhoO motivo para voltar, e o que o cliente realmente achou
Contar os clientes que compraramÉ o número que a diretoria pedeQuantos pediram de novo, que é o que mostra que o produto pegou
Dar a todos um desconto de lançamentoDiminui a barreira para experimentarSaber se pedem pelo produto ou pelo preço
Esperar o fim do mês para avaliarHaverá mais dados para decidirSemanas de visitas com uma abordagem que não estava funcionando

A visita que decide é a segunda

O primeiro pedido diz que o cliente ficou curioso. O segundo diz que o produto funcionou para ele, que vendeu ou que ele usou, e que tem espaço no pedido de sempre. Por isso a visita depois do teste importa mais do que a visita de apresentação: é quando se pergunta como foi e se ajusta a quantidade.

Se o cliente não pediu de novo, a visita conta mesmo assim. Talvez não tenha vendido, talvez tenha vendido e ele esqueceu de pedir, ou talvez tenha colocado o produto onde ninguém via. São três problemas diferentes com três soluções diferentes, e só dá para distingui-los perguntando na loja, não lendo o relatório.

Um produto não pega quando o cliente experimenta. Pega quando ele pede de novo sem que ninguém ofereça.

O que testar na segunda-feira, sem comprar nada

  • Com o próximo produto que chegar, antes de oferecê-lo, liste numa folha os dez ou quinze clientes da primeira onda, com o motivo de cada um.
  • Escreva com a equipe uma única frase de abordagem e peça que a usem exatamente assim durante a primeira semana.
  • Acrescente três colunas à ficha de visita: se foi oferecido, o que o cliente disse e se houve pedido de teste.
  • Coloque na agenda a visita de acompanhamento de cada cliente da primeira onda, uma ou duas semanas depois do pedido de teste.
  • Volte ao último lançamento: dos clientes que pediram uma vez, conte quantos pediram de novo. Esse é o seu ponto de partida.

O que precisa estar funcionando

Para que o próximo lançamento não dependa do instinto de cada vendedor, três coisas precisam ficar registradas. Primeiro, a lista de clientes de cada onda, definida antes de sair e com o motivo de cada um. Assim, ninguém oferece o produto à conta grande na primeira semana só porque estava no caminho.

Segundo, o que cada cliente disse na visita, anotado na ficha dele com as próprias palavras, para que a segunda onda comece com o que a primeira ensinou. E terceiro, as recompras de cada cliente que fez pedido de teste, visíveis por produto, para saber em quais contas ele realmente entrou e quais só experimentaram.

Com essas três coisas funcionando, um lançamento deixa de ser uma data em que o produto é distribuído e passa a ser uma sequência de perguntas respondidas onda a onda. E muda também a forma de dar o lançamento por encerrado: ele não termina no dia em que foi oferecido a todos, termina no dia em que já não precisa ser oferecido.