Região saturada ou vazia: quantos estabelecimentos da sua área nunca receberam uma visita

Há vendedores que visitam os mesmos trinta clientes toda semana e nunca entraram no comércio da esquina. A região deles parece bem trabalhada: muitas visitas, pedidos constantes…

M Por Mauricio A Gomez · · 5 min de leitura
Região saturada ou vazia: quantos estabelecimentos da sua área nunca receberam uma visita

Há vendedores que visitam os mesmos trinta clientes toda semana e nunca entraram no comércio da esquina. A região deles parece bem trabalhada: muitas visitas, pedidos constantes, bons relacionamentos. Mas o mapa tem ruas inteiras onde ninguém da empresa jamais pisou, e é ali que estão as vendas que o relatório não mostra.

Duas regiões que parecem iguais no relatório

Uma região saturada é a que recebe visitas demais: o mesmo cliente visto três vezes na semana quando uma teria bastado. Uma região vazia é a que não recebe nenhuma: estabelecimentos que poderiam comprar e nunca viram um vendedor. Muitas vezes, as duas coisas acontecem dentro da mesma região.

O relatório de vendas não consegue diferenciá-las. As duas somam visitas e pedidos para o mesmo vendedor, e se o total do mês parece bom, ninguém pergunta de onde veio. O vendedor bate a meta, a região parece coberta e o gerente de vendas segue em frente. O que deixa de ser comprado na parte vazia nunca aparece como perda.

O que é cobertura e como medi-la

Cobertura é uma divisão simples: de todos os estabelecimentos da região que poderiam comprar de você, quantos você realmente visita. O número de cima você já tem, porque são seus clientes e suas visitas. O de baixo quase ninguém tem, porque exige olhar a região inteira. Sem ele, não dá para medir a cobertura.

Suponha que uma região tenha oitenta estabelecimentos que poderiam comprar o produto. A carteira tem trinta, e vinte e cinco deles são visitados toda semana. Os outros cinquenta nunca receberam uma visita. Com esses números hipotéticos, o vendedor fica ocupado a semana inteira e, ainda assim, nunca conheceu mais da metade da região.

A pergunta sobre a regiãoO que respondeO que costuma aparecer na primeira vez
Quantos estabelecimentos aqui poderiam comprar de mim?Uma lista feita percorrendo a região, não só a carteira de clientesQue a lista é bem maior do que a carteira
Quantos deles já são clientes?A carteira cruzada com essa listaQue os clientes estão concentrados em poucas ruas
Quantos são realmente visitados?As visitas registradas no último mêsQue poucos clientes ficam com quase todas as visitas
Quantos nunca receberam uma visita?A lista menos os clientes e os prospects já contatadosRuas inteiras sem nenhum contato
Onde as visitas se concentram?As visitas marcadas num mapaQue a rota gira em torno do mesmo ponto

Por que uma região satura sozinha

Ninguém decide saturar uma região. Acontece por comodidade. O vendedor volta aonde é bem recebido, onde já sabe o que pedir e com quem falar. Entrar num estabelecimento novo tem um custo: não conhecem você, fazem você esperar e muitas vezes dizem não. Visitar de novo o cliente de sempre não custa nada.

A distância empurra no mesmo sentido. A rota é montada em torno do depósito ou da casa do vendedor, e o que fica longe espera um dia com tempo sobrando, que nunca chega. E se no fim do mês faltam vendas, o vendedor vai buscá-las onde sabe que vai encontrar: no cliente que já compra.

Cada uma dessas decisões faz sentido isoladamente. Juntas, produzem uma região com o centro visitado demais e as bordas que ninguém toca. E quando o gerente de vendas pergunta por que não se abrem contas novas, o vendedor tem respostas que soam razoáveis e que quase nunca são verificadas.

Se o vendedor diz...O que pode ser verdadeComo conferir em uma tarde
"Não tem nada naquela área"Que ele não passa por lá há mesesPercorrer a área uma vez e contar os estabelecimentos que poderiam comprar
"Meus clientes precisam que eu vá sempre"Que alguns precisam, e outros só gostam da visitaVer se o pedido muda quando as visitas são espaçadas
"Não tenho tempo"Que o tempo vai todo para o centro da regiãoColocar uma semana de visitas num mapa
"Já fui lá e disseram não"Que foi uma vez, há muito tempo, com outra ofertaProcurar a data e a anotação daquela visita
"Esses não são clientes para nós"Que às vezes é verdade, e vale saber por quêAnotar o motivo ao lado de cada um que for descartado

Nenhuma dessas frases é mentira. São a explicação honesta de um hábito. Sem o mapa na frente, ninguém consegue contestá-las. Com o mapa, a conversa muda: deixa de ser sobre se o vendedor trabalha muito e passa a ser sobre para onde vai a semana e que parte da região continua intocada.

Uma região não está coberta porque o vendedor está ocupado. Está coberta quando você sabe quem ele nunca visitou.

O que testar na segunda-feira, sem comprar nada

  • Escolha uma região e liste os estabelecimentos que poderiam comprar percorrendo-a uma vez, não copiando a carteira de clientes.
  • Marque nessa lista quem é cliente, quem já foi visitado alguma vez e quem nunca foi. Só de contar, a conversa muda.
  • Coloque num mapa a última semana de visitas do vendedor dessa região e veja onde elas se concentram.
  • Entregue ao vendedor cinco estabelecimentos que nunca foram visitados e peça uma primeira visita a cada um neste mês.
  • Para cada cliente que hoje recebe várias visitas por semana, pergunte o que aconteceria se recebesse só uma.

O que precisa estar funcionando

Medir a cobertura exige três coisas bem à vista. Primeiro, a lista completa dos estabelecimentos de cada região que poderiam comprar, clientes e não clientes. Essa lista não sai do sistema de vendas: sai de percorrer a região, e precisa ser revisada de tempos em tempos, porque estabelecimentos abrem e fecham.

Segundo, visitas com localização, para ver no mapa para onde vai a semana. E terceiro, uma marcação em cada estabelecimento dizendo quando foi a última visita, ou que nunca houve uma. Com essas três coisas, a conversa com o vendedor deixa de ser sobre impressões e passa a ser sobre ruas específicas.

Com isso, a região deixa de ser medida pelo que vende e passa a ser medida pelo que ainda não tocou. O vendedor continua atendendo seus clientes, com parte da semana reservada para as bordas. E o mapa da região deixa de ser o mapa dos clientes que você tem e passa a ser o mapa dos que estão faltando.